As variações de insolação (energia por unidade de área recebida do
Sol) à superfície de um planeta resultam do efeito combinado entre a
sua posição na órbita e da orientação do seu eixo de rotação. Para a
Terra estas variações são ligeiras, mas estão contudo na origem de
grandes variações climatéricas no passado, conhecida na literatura pela
teoria de Milankovitch sobre os paleoclimas. Vestígios destas variações
climáticas podem ser encontrados por exemplo nas calotes polares (até
400 000 anos) ou nos sedimentos marinhos para períodos de tempo mais
longos (até 200 milhões de anos). No âmbito de um esforço
pluridisciplinar para compreender as variações possíveis da orientação e
do clima da Terra ao longo dos últimos mil milhões de anos, pretende-se
determinar os constrangimentos dinâmicos e observacionais para a
evolução do eixo do nosso planeta até 600 milhões de anos. Trabalhando
em conjugação com geólogos foi já possível estabelecer com exactidão
os momentos precisos em que determinados mudanças climatéricas ocorreram
nos últimos 23 milhões de anos (período do Neogeno). Para tal
simulou-se em computador a evolução passada do eixo de rotação do nosso
planeta tendo em conta o modelo físico/matemático mais completo
utilizado até hoje. Este modelo inclui não só as perturbações de todos
os planetas sobre a órbita da Terra, bem como os efeitos de maré
provocados pela Lua e pelo Sol. |